quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

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domingo, 27 de outubro de 2013

Preparação para o trail - Parte II

À medida que vou avançando por Monsanto a dentro, as pernas vão ficando mais pesadas como consequência das constantes subidas. No entanto, um dos aspetos mais positivos e inesperados, advém da estabilidade respiratória e cardíaca.

Na subida mais longa, entre o Estádio de Pina Manique e a primeira rotunda no topo do Monsanto, chego ao fim sem o sentimento de desespero que é habitual nestas situações. Não sinto a tal necessidade de parar para retomar o fôlego, nem procuro um argumento válido que o justifique.
 
A descida foi muito mais difícil, nomeadamente para os joelhos. Cada passada no sentido descendente, as rótulas anteparam os ossos todos. Os fêmur são os primeiros a querer sair. Os joelhos são continuamente castigados durante um Km que parece não ter fim.

Mais à frente, num extensão do percurso mais acidentada, dou por mim num exercício desgastante. É absolutamente necessário escolher o piso onde aterro e mantenho a máxima concentração.

Surpreendentemente, não sinto qualquer fricção nos pés o que me garante um treino tranquilo pelo menos nesse aspeto. No fim, atribuo o bom estado dos pés, à qualidade dos ténis. Parecem umas autênticas luvas.

Registo ainda aquilo que já vinha a constatar de algumas semanas para cá. A canelite está cada vez menos evidente. Somo a este facto, a recuperação das bolhas e a resistência nas subidas que nos primeiros tempos eram o meu pior inimigo. Agora pelos vistos, passaram a ser as descidas.

Numa semana muita coisa muda. Do inferno da meia para um futuro próximo mais otimista.

Preparação para o trail - Parte I

Dando seguimento a um desejo já com algum tempo, decido avançar para uma prova de trail. Uma não, duas. Escolho dois percursos curtos numa primeira abordagem, com o intuito de avaliar o nível de dificuldade deste tipo de provas. Na minha agenda, incluo o Trail dos Casainhos, com data prevista para 10 de Novembro e um segundo, a Corrida do Monge, dia 17 de Novembro.

O trail é um tipo de prova percorrido essencialmente no meio da natureza. Como tal, é expectável encontrar um tipo de terreno que abrange todas as possibilidades. Asfalto (escasso), terra, areia, pedra, lama, rios e tudo o que se possa imaginar ser possível transpor a correr ou a caminhar.
 
Os ténis que habitualmente utilizo, não são adequados para este tipo de terreno. Têm uma boa base, mas são praticamente lisos e portanto com pouca aderência no terreno descrito anteriormente. Os ténis de trail possuem espigões que agarram melhor ao terreno e facilitam a impulsão.

Procuro junto de colegas meus, mais experientes neste tipo de provas, a ajuda necessária para me ajudar a escolher um calçado novo. A escolha recaiu sobre os ASICS Fuji Trainer. Um modelo do ano passado de aparente boa qualidade.
 
 
Outra das características do trail é o desnível positivo acumulado que torna uma prova de 10Kms num verdadeiro desafio à resistência. Exemplo. Subo um degrau com 20cm e obtenho um desnível acumulado de 20cm.

Subo o segundo degrau com a mesma altura e tenho um desnível acumulado de 40cm. Desço um degrau e depois volto a subir mais um. Conto só os degraus que subo e somo mais 20cm ao desnível acumulado. Total, 60cm. Não importa o comprimento que percorri. O degrau até podia ter um metro de comprimento. O que interessa é a altura que se sobe.

Escolho o Monsanto para realizar o primeiro treino. Neste espaço verde dentro de Lisboa existem as condições necessárias. Subidas e descidas não faltam e o terreno constituído na sua maioria por terra batida e pedras, parece-me adequado.
 
Com a ajuda do site www.myasics.com, desenho um percurso de 15Kms. No dia seguinte, sem pensar nas bolhas que ainda não estão totalmente curadas, sigo em direção ao Monsanto.

A terceira meia - Parte II

As dores absorvem totalmente a minha atenção. Nada mais vejo à minha volta. Apenas o chão que piso. Ponho o pé no chão de várias formas na esperança de encontrar uma posição livre de dor. Concentrado no pé, no chão e na dor, perco completamente a noção do ritmo. Contra todas as expetativas, passo ao Km 15 dentro do tempo previsto, 1h23m57s.

Faltam 6. Ainda. Vários cenários passam-me pela cabeça. Como vou conseguir chegar ao fim? A dor impede-me de correr naturalmente. Depois de avaliar bem a situação, considero que a dor ultrapassa o bom senso e é neste momento que decido parar.
 
Custa-me andar, mas depois de alguns metros volto ao ritmo de corrida. Prossigo alternando os dois ritmos. Sinto as bolhas nos pés a serem esmagadas a cada passo que dou. São várias e grandes. As faces laterais interiores dos dois pés estão absolutamente doloridas.

Ao Km 18 tento-me abstrair das dores nos pés. A dor não existe. Eu consigo, eu consigo...eu não consigo. A dor é real. Arrasto-me. Corto a meta a correr e mal esboço um sorriso à família que me espera junto à meta. Abandono rapidamente o local pois tenho que tirar os ténis e tratar dos pés com urgência.
 
A última prova que realizei no final de Junho, o termómetro marcava 40ºC. Na altura não registei qualquer dificuldade. E antes dessa, muitos meses passaram sem bolhas. É assim, sem explicação aparente e com muitas dores que regresso a casa.

A prova, termino com o tempo de 2h07m18s. A próxima meia maratona é daqui a 2 meses. Tempo suficiente para recuperar e assimilar a lição aprendida: Nunca se sabe como vai correr uma prova.

A terceira meia - Parte I

Tinha grandes expectativas para a minha terceira meia maratona. A primeira não tinha corrido bem devido a um problema na banda iliotibial da perna esquerda. Tempo final 2h17m11s. A segunda meia em Almada correu substancialmente melhor apesar das constantes subidas e descidas. Tempo final, 2h05m28s.

A terceira meia tem um percurso fácil. Inicia na ponte Vasco da Gama, desce até à Expo e depois é sempre a direito até à meta. Tempo alvo: 2h00m00s.

Vou adotar a seguinte estratégia. Concluir os primeiros 10Km abaixo dos 54m e os restantes 11Kms no tempo de 1h06m.

Nesse dia, os primeiros 3Kms são feitos sempre a descer, e tal como previsto, aproveito o embalo para ganhar algum tempo. Tudo corre bem. Quando chego à Expo, apesar da descida ter terminado, continuo no mesmo ritmo. Foi nesta boa fase (e única), que atinjo a melhor marca, 4:45min./Km.
 
Ao 6ºKm começo a sentir os primeiro sinais de desconforto. O pé direito ameaça algum desgaste provocado pela fricção, mas desta vez parece estar a formar-se uma bolha. Ao 7ºKm, o desconforto vai aumentando e a preocupação também. Ao 8º vou já diminuindo o ritmo. Ao 9º já vou em dificuldades.
 
Ao Km 10, passo com o tempo de 53m. O primeiro objetivo está cumprido. A segunda fase, conforme planeado, deverá decorrer dentro do tempo de 1h06m. Se cumprir a segunda fase  termino a prova com 1h59m. Em cheio no tempo previsto.

Uma pequena loucura - Parte II

Acabo a corrida. Agora tenho 5Kms para fazer de volta até ao carro. Há duas semanas atrás parecia boa ideia mas agora vejo que não foi. Caminho tranquilamente durante um Km e vou a trote durante os 2Kms seguintes. Pelo caminho apanho um colega que possivelmente é louco como eu. Vá lá. Já somos dois.
 
O sol está impiedoso e por isso obriga a constante hidratação. Mas a organização da prova só forneceu uma garrafinha de água no fim e essa logo evaporou. Pelo caminho, encontramos uma das carrinhas da organização. Perguntam se queremos água. OK, SIM!

As primeiras garrafas evaporaram-se no primeiro minuto. As outras duas guardámos para o caminho. Mais á frente encontrámos um chafariz onde cada um de nós encheu novamente as garrafas e bebeu o equivalente a um jerrycan.

Para evitar lesões decidimos percorrer o resto do caminho calmamente a passo, bebendo água de 5 em 5 minutos. Pelo caminho junto á falésia, observamos a praia cheia de banhistas que aproveitam este calor de Setembro. Mas nós viemos para correr e andar portanto não aproveitamos nada.
 
Quando finalmente chego ao carro, já mal posso levantar as pernas. Foram 30Kms percorridos num curto espaço de tempo. Foi duro mas graças a esta loucura, ganho noção de que não tenho condições para correr uma maratona do principio ao fim e ainda assim terminar em boas condições.

Uma pequena locura - Parte I

Ainda agora acabei uma corrida difícil, e em menos de 12 horas já estou metido noutra. A verdadeira loucura é: Estacionar o carro a meio do percurso. Correr 5Km até ao local de partida. Correr os 10Km que constituem a prova. Correr mais 5Kms até ao local onde estacionei o carro. 20Kms no total.

Os primeiros 5Km não foram complicados. A prova fiz dentro do ritmo de 7:00min./Km. Assim, até não custou muito. A canelite até foi amiga, não chegou a incomodar verdadeiramente. O ritmo foi para lá do confortável. Deu para falar, ver as vistas, beber água sem solavancos, uma beleza.

Faço a prova com um colega que se predispôs a correr pela primeira vez os 10Kms seguidos sem parar (e conseguiu). Lá está. Estamos perante uma pequena vitória. Já passei por isso e fico feliz por ele.

Quanto a mim, apesar de sentir as pernas pesadas, verifico que sensivelmente perto do 7ºKm aumento o ritmo inconscientemente. Percebo este facto, quando o meu colega começa a ficar para trás. Corrijo imediatamente.

Sempre que aumentava o ritmo bastava-me lembrar dos 5Kms de regresso que tenho para fazer no fim da prova e logo desaparecia a vontade. Mais uma vez, está um calor bastante intenso, cerca de 30º. Os pés estão em brasa, mas não tanto como nas provas das semanas anteriores.