domingo, 27 de outubro de 2013

A terceira meia - Parte II

As dores absorvem totalmente a minha atenção. Nada mais vejo à minha volta. Apenas o chão que piso. Ponho o pé no chão de várias formas na esperança de encontrar uma posição livre de dor. Concentrado no pé, no chão e na dor, perco completamente a noção do ritmo. Contra todas as expetativas, passo ao Km 15 dentro do tempo previsto, 1h23m57s.

Faltam 6. Ainda. Vários cenários passam-me pela cabeça. Como vou conseguir chegar ao fim? A dor impede-me de correr naturalmente. Depois de avaliar bem a situação, considero que a dor ultrapassa o bom senso e é neste momento que decido parar.
 
Custa-me andar, mas depois de alguns metros volto ao ritmo de corrida. Prossigo alternando os dois ritmos. Sinto as bolhas nos pés a serem esmagadas a cada passo que dou. São várias e grandes. As faces laterais interiores dos dois pés estão absolutamente doloridas.

Ao Km 18 tento-me abstrair das dores nos pés. A dor não existe. Eu consigo, eu consigo...eu não consigo. A dor é real. Arrasto-me. Corto a meta a correr e mal esboço um sorriso à família que me espera junto à meta. Abandono rapidamente o local pois tenho que tirar os ténis e tratar dos pés com urgência.
 
A última prova que realizei no final de Junho, o termómetro marcava 40ºC. Na altura não registei qualquer dificuldade. E antes dessa, muitos meses passaram sem bolhas. É assim, sem explicação aparente e com muitas dores que regresso a casa.

A prova, termino com o tempo de 2h07m18s. A próxima meia maratona é daqui a 2 meses. Tempo suficiente para recuperar e assimilar a lição aprendida: Nunca se sabe como vai correr uma prova.

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