domingo, 27 de outubro de 2013

Preparação para o trail - Parte II

À medida que vou avançando por Monsanto a dentro, as pernas vão ficando mais pesadas como consequência das constantes subidas. No entanto, um dos aspetos mais positivos e inesperados, advém da estabilidade respiratória e cardíaca.

Na subida mais longa, entre o Estádio de Pina Manique e a primeira rotunda no topo do Monsanto, chego ao fim sem o sentimento de desespero que é habitual nestas situações. Não sinto a tal necessidade de parar para retomar o fôlego, nem procuro um argumento válido que o justifique.
 
A descida foi muito mais difícil, nomeadamente para os joelhos. Cada passada no sentido descendente, as rótulas anteparam os ossos todos. Os fêmur são os primeiros a querer sair. Os joelhos são continuamente castigados durante um Km que parece não ter fim.

Mais à frente, num extensão do percurso mais acidentada, dou por mim num exercício desgastante. É absolutamente necessário escolher o piso onde aterro e mantenho a máxima concentração.

Surpreendentemente, não sinto qualquer fricção nos pés o que me garante um treino tranquilo pelo menos nesse aspeto. No fim, atribuo o bom estado dos pés, à qualidade dos ténis. Parecem umas autênticas luvas.

Registo ainda aquilo que já vinha a constatar de algumas semanas para cá. A canelite está cada vez menos evidente. Somo a este facto, a recuperação das bolhas e a resistência nas subidas que nos primeiros tempos eram o meu pior inimigo. Agora pelos vistos, passaram a ser as descidas.

Numa semana muita coisa muda. Do inferno da meia para um futuro próximo mais otimista.

Preparação para o trail - Parte I

Dando seguimento a um desejo já com algum tempo, decido avançar para uma prova de trail. Uma não, duas. Escolho dois percursos curtos numa primeira abordagem, com o intuito de avaliar o nível de dificuldade deste tipo de provas. Na minha agenda, incluo o Trail dos Casainhos, com data prevista para 10 de Novembro e um segundo, a Corrida do Monge, dia 17 de Novembro.

O trail é um tipo de prova percorrido essencialmente no meio da natureza. Como tal, é expectável encontrar um tipo de terreno que abrange todas as possibilidades. Asfalto (escasso), terra, areia, pedra, lama, rios e tudo o que se possa imaginar ser possível transpor a correr ou a caminhar.
 
Os ténis que habitualmente utilizo, não são adequados para este tipo de terreno. Têm uma boa base, mas são praticamente lisos e portanto com pouca aderência no terreno descrito anteriormente. Os ténis de trail possuem espigões que agarram melhor ao terreno e facilitam a impulsão.

Procuro junto de colegas meus, mais experientes neste tipo de provas, a ajuda necessária para me ajudar a escolher um calçado novo. A escolha recaiu sobre os ASICS Fuji Trainer. Um modelo do ano passado de aparente boa qualidade.
 
 
Outra das características do trail é o desnível positivo acumulado que torna uma prova de 10Kms num verdadeiro desafio à resistência. Exemplo. Subo um degrau com 20cm e obtenho um desnível acumulado de 20cm.

Subo o segundo degrau com a mesma altura e tenho um desnível acumulado de 40cm. Desço um degrau e depois volto a subir mais um. Conto só os degraus que subo e somo mais 20cm ao desnível acumulado. Total, 60cm. Não importa o comprimento que percorri. O degrau até podia ter um metro de comprimento. O que interessa é a altura que se sobe.

Escolho o Monsanto para realizar o primeiro treino. Neste espaço verde dentro de Lisboa existem as condições necessárias. Subidas e descidas não faltam e o terreno constituído na sua maioria por terra batida e pedras, parece-me adequado.
 
Com a ajuda do site www.myasics.com, desenho um percurso de 15Kms. No dia seguinte, sem pensar nas bolhas que ainda não estão totalmente curadas, sigo em direção ao Monsanto.

A terceira meia - Parte II

As dores absorvem totalmente a minha atenção. Nada mais vejo à minha volta. Apenas o chão que piso. Ponho o pé no chão de várias formas na esperança de encontrar uma posição livre de dor. Concentrado no pé, no chão e na dor, perco completamente a noção do ritmo. Contra todas as expetativas, passo ao Km 15 dentro do tempo previsto, 1h23m57s.

Faltam 6. Ainda. Vários cenários passam-me pela cabeça. Como vou conseguir chegar ao fim? A dor impede-me de correr naturalmente. Depois de avaliar bem a situação, considero que a dor ultrapassa o bom senso e é neste momento que decido parar.
 
Custa-me andar, mas depois de alguns metros volto ao ritmo de corrida. Prossigo alternando os dois ritmos. Sinto as bolhas nos pés a serem esmagadas a cada passo que dou. São várias e grandes. As faces laterais interiores dos dois pés estão absolutamente doloridas.

Ao Km 18 tento-me abstrair das dores nos pés. A dor não existe. Eu consigo, eu consigo...eu não consigo. A dor é real. Arrasto-me. Corto a meta a correr e mal esboço um sorriso à família que me espera junto à meta. Abandono rapidamente o local pois tenho que tirar os ténis e tratar dos pés com urgência.
 
A última prova que realizei no final de Junho, o termómetro marcava 40ºC. Na altura não registei qualquer dificuldade. E antes dessa, muitos meses passaram sem bolhas. É assim, sem explicação aparente e com muitas dores que regresso a casa.

A prova, termino com o tempo de 2h07m18s. A próxima meia maratona é daqui a 2 meses. Tempo suficiente para recuperar e assimilar a lição aprendida: Nunca se sabe como vai correr uma prova.

A terceira meia - Parte I

Tinha grandes expectativas para a minha terceira meia maratona. A primeira não tinha corrido bem devido a um problema na banda iliotibial da perna esquerda. Tempo final 2h17m11s. A segunda meia em Almada correu substancialmente melhor apesar das constantes subidas e descidas. Tempo final, 2h05m28s.

A terceira meia tem um percurso fácil. Inicia na ponte Vasco da Gama, desce até à Expo e depois é sempre a direito até à meta. Tempo alvo: 2h00m00s.

Vou adotar a seguinte estratégia. Concluir os primeiros 10Km abaixo dos 54m e os restantes 11Kms no tempo de 1h06m.

Nesse dia, os primeiros 3Kms são feitos sempre a descer, e tal como previsto, aproveito o embalo para ganhar algum tempo. Tudo corre bem. Quando chego à Expo, apesar da descida ter terminado, continuo no mesmo ritmo. Foi nesta boa fase (e única), que atinjo a melhor marca, 4:45min./Km.
 
Ao 6ºKm começo a sentir os primeiro sinais de desconforto. O pé direito ameaça algum desgaste provocado pela fricção, mas desta vez parece estar a formar-se uma bolha. Ao 7ºKm, o desconforto vai aumentando e a preocupação também. Ao 8º vou já diminuindo o ritmo. Ao 9º já vou em dificuldades.
 
Ao Km 10, passo com o tempo de 53m. O primeiro objetivo está cumprido. A segunda fase, conforme planeado, deverá decorrer dentro do tempo de 1h06m. Se cumprir a segunda fase  termino a prova com 1h59m. Em cheio no tempo previsto.

Uma pequena loucura - Parte II

Acabo a corrida. Agora tenho 5Kms para fazer de volta até ao carro. Há duas semanas atrás parecia boa ideia mas agora vejo que não foi. Caminho tranquilamente durante um Km e vou a trote durante os 2Kms seguintes. Pelo caminho apanho um colega que possivelmente é louco como eu. Vá lá. Já somos dois.
 
O sol está impiedoso e por isso obriga a constante hidratação. Mas a organização da prova só forneceu uma garrafinha de água no fim e essa logo evaporou. Pelo caminho, encontramos uma das carrinhas da organização. Perguntam se queremos água. OK, SIM!

As primeiras garrafas evaporaram-se no primeiro minuto. As outras duas guardámos para o caminho. Mais á frente encontrámos um chafariz onde cada um de nós encheu novamente as garrafas e bebeu o equivalente a um jerrycan.

Para evitar lesões decidimos percorrer o resto do caminho calmamente a passo, bebendo água de 5 em 5 minutos. Pelo caminho junto á falésia, observamos a praia cheia de banhistas que aproveitam este calor de Setembro. Mas nós viemos para correr e andar portanto não aproveitamos nada.
 
Quando finalmente chego ao carro, já mal posso levantar as pernas. Foram 30Kms percorridos num curto espaço de tempo. Foi duro mas graças a esta loucura, ganho noção de que não tenho condições para correr uma maratona do principio ao fim e ainda assim terminar em boas condições.

Uma pequena locura - Parte I

Ainda agora acabei uma corrida difícil, e em menos de 12 horas já estou metido noutra. A verdadeira loucura é: Estacionar o carro a meio do percurso. Correr 5Km até ao local de partida. Correr os 10Km que constituem a prova. Correr mais 5Kms até ao local onde estacionei o carro. 20Kms no total.

Os primeiros 5Km não foram complicados. A prova fiz dentro do ritmo de 7:00min./Km. Assim, até não custou muito. A canelite até foi amiga, não chegou a incomodar verdadeiramente. O ritmo foi para lá do confortável. Deu para falar, ver as vistas, beber água sem solavancos, uma beleza.

Faço a prova com um colega que se predispôs a correr pela primeira vez os 10Kms seguidos sem parar (e conseguiu). Lá está. Estamos perante uma pequena vitória. Já passei por isso e fico feliz por ele.

Quanto a mim, apesar de sentir as pernas pesadas, verifico que sensivelmente perto do 7ºKm aumento o ritmo inconscientemente. Percebo este facto, quando o meu colega começa a ficar para trás. Corrijo imediatamente.

Sempre que aumentava o ritmo bastava-me lembrar dos 5Kms de regresso que tenho para fazer no fim da prova e logo desaparecia a vontade. Mais uma vez, está um calor bastante intenso, cerca de 30º. Os pés estão em brasa, mas não tanto como nas provas das semanas anteriores.

 

Um prova especial - Parte II

Simplesmente não conseguimos passar, mas assim que ultrapassamos este obstáculo, voltamos ao ritmo infernal (a este altura já era este o sentimento). O inferno também durava pouco, pois umas centenas de metros mais à frente esperava-nos um novo pára-arranca.

O meu colega já vai uns metros á minha frente dado que já não o consigo acompanhar. Na seguinte escada em que fomos obrigados a parar, vejo-o apenas a 3 metros de distância, mas quando finalmente tenho espaço livre para correr já não consigo recuperar a diferença.
 
Até final foi um verdadeiro massacre de escadas a subir e a descer embora com muito menos trânsito. Quando é para subir ainda consigo correr. Devagar. Em passo rápido. Uma mistura de tudo é o que melhor descreve o meu estado a esta altura.

Na inclinação contrária mais forte, sinto algumas dores nos joelhos. Noutras ocasiões o chão é escorregadio e a minha preocupação concentra-se exclusivamente no joelho direito. Reduzo ainda mais o ritmo e trato de garantir que em cada passada coloco o pé bem assente no chão.
 
Vou bastante desgastado, é certo, mas a organização tratou de resolver o meu problema. Fizeram-me uma partida. Reduziram a distância de 12Km para pouco mais de 9,5Km. Fiquei a saber posteriormente que tinham anunciado poucos dias antes esta alteração.
 
Como já vou perto do fim e o moral foi renovado, termino a prova com um sprint e obtenho a marca de 1h11m15s.
 
Bom desafio. Não é uma prova linear. Voltarei no próximo ano nem que seja pela piada que tem fazer uma coisa diferente do habitual. Mas esta missão já está concluída. Agora é preciso recuperar para a próxima prova no dia seguinte de manhã.

Uma prova especial - Parte I

Uma prova de trail urbano é caracterizada por uma paisagem citadina, percurso irregular constituído por asfalto, pedras da calçada (algumas soltas), buracos (alguns profundos), subidas, descidas, escadas (mais a subir do que a descer), passagens estreitas (só passa um de cada vez) e ruas bem iluminadas, ou não (estas últimas inspiram pouca segurança).

 
Despertou-me muita curiosidade a realização deste evento. Não só pelo percurso ser pouco linear, mas também por se realizar durante a noite. A inscrição incluía ainda a entrega de um frontal e de uma camisola refletora.

O frontal é uma luz que carregamos connosco e que após devidamente posicionada (na cabeça geralmente), ilumina o caminho á nossa frente. Ver exemplo de um dos modelos disponíveis na imagem seguinte.

 
Como estava bastante motivado para fazer esta prova, acendo o frontal e sigo numa passada rápida. Só durou o 1º Km. A partir do 2º, o mar de concorrentes, a subida longa e as ruas estreitas, encarregaram-se de fazer abrandar o ritmo de todos sem exceção.
 
O aglomerado de pessoas era de tal ordem que não restava outra solução se não andar. Enquanto ainda ia fresco e assim que surgia uma nesga de terreno livre, arrancava por ali acima como se não houvesse amanhã. Mas mais uma vez, após alguns metros, sou novamente obrigado a parar devido ao engarrafamento.

Como a canela não dói, corro livremente. Provavelmente até vou pagar mais tarde a ousadia do ritmo forte, mas naquele momento sentia-me livre e só penso em desfrutar da prova.
 
Acompanhou-me numa boa parte do percurso, o meu colega "acidentado" da meia maratona de Lisboa. Bem me avisou que íamos a um ritmo demasiado elevado. Mas fomos juntos enquanto fui aguentando. Pouco mais à frente, a brincadeira acabou.

Entre o 4º e o 5ºKm, numas das muitas escadas que subimos, estavam a decorrer obras. Na parte mais estreita só cabe uma pessoa de cada vez. Foi um monumental engarrafamento, avançamos á velocidade média de 12:00min./Km.

Regresso em força

Aumentei consideravelmente a intensidade dos treinos em Setembro, e com eles voltou a velha dor na canela da perna esquerda.

Na corrida do Autódromo, no regresso às provas, as dificuldades que já vinha a sentir nos treinos tornaram-se mais evidentes nos primeiros 7Km. A dor na canela impede de esticar o pé convenientemente o que torna o movimento de impulsão muito doloroso. Felizmente a prova só tinha 10Km.

De nada valeu um pequeno aquecimento prévio. A dor surge logo nos primeiros minutos de prova, subsiste durante alguns kms e depois vai atenuando até desaparecer completamente. Os últimos 3Km foram mais fáceis. Com o movimento mais solto, foi possível aumentar o ritmo e terminar a prova abaixo da 1 hora. Tempo final, 57m53s.
 
No fim de semana seguinte, nova prova de 10Km. No entanto, sinto a falta de fazer um treino mais longo. Decido que vou aproveitar o dia da prova para fazer 20Km. A minha ideia passa por fazer a prova entre Algés e Oeiras, descansar alguns minutos e voltar pelo caminho inverso. De preferência, a correr.

Estamos em pleno Setembro e o sol está abrasador. A temperatura atinge os 30º durante a prova. Para além da dor na canela que vem sendo habitual, surge outra dificuldade, os pés vão pegar fogo.

Foi a minha velocidade estonteante? Não. O calor abrasivo que sofro nos pés resultam em pequenas assaduras em vários pontos de ambos os pés. Depois de terminar a prova, a dor é absurda. Ando e corro, corro e ando até chegar novamente a Algés.

A prova, termino com o tempo de 57m34s. A canelite, ameaça tornar-se um hábito.

Por uma unha...encravada

Na ânsia de sair cedo de casa para mais um treino, corto mal uma das unhas. Sem pensar, arranco um canto que não tinha ficado cortado até ao fim. Um pequeno gesto mal medido que me valeu a pior lesão desde que comecei a correr.
 
No canto entre a unha e a pele, nasceu uma ferida que se transformou em carne viva e que cresceu por cima da unha que sobrou.
 
Durante as férias apenas calcei chinelos. Esvaziei um frasco de Betadine no dedo para tentar manter a ferida desinfetada durante 24 horas. Com o tempo foi melhorando mas durante a pior fase, até a deslocação do ar causava dor. No banho, a água a cair no pé causava dor. A calçar as meias e os sapatos, dor. A vestir as calças, a passagem do tecido no dedo...dor.
 
Todas as tarefas são realizadas com muito cuidado para que nada toque no dedo. O derradeiro desastre seria alguém me pisar. A consequência para além da dor óbvia, seria a unha ficar ainda mais cravada na carne.
 
Bem sei, porque já me aconteceu no passado, que se não conseguir curar a ferida, a solução pode bem passar por arrancar o resto da unha, cirurgicamente claro. É de evitar a todo o custo.
 
Na verdade, os cuidados intensivos e algumas gazes para evitar que os dedos vizinhos apertem o já fragilizado cujo, não foi o suficiente. Mais tarde, por conselho de outros colegas que também já passaram pelo mesmo, passei a depositar o dito todas as noites em água quente com sal. O sal acelera a cicatrização. Queimar também, mas não fui por aí.
 
Pode-se dizer que a evolução foi mais rápida. Duas semanas depois estou de volta ao terreno. Mas a recuperação já vem demasiado tarde, no final de Agosto. Durante 5 semanas não houve treinos, não houve experiências, não houve nada.

Perde-se durante as férias a oportunidade para seguir um plano mais rigoroso que permita a preparação adequada para realizar a prova da maratona no dia 6 de Outubro. Decido definitivamente que não irei antecipar este objetivo.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O calendário que se segue

Durante o mês de Julho e Agosto vou essencialmente treinar a horas em que o calor não seja tão impiedoso. Vou aproveitar também para realizar mais alguns treinos longos para me aproximar do objetivo Maratona.

A decisão de realizar esta distância ainda este ano não está posta de parte. Agora que já tenho um treino de referência, será mais fácil registar a evolução durante os próximos meses e assim confirmar ou não se é possível realizar esta distância.

Na tomada de decisão, impõe-se a condição óbvia de poder realizar a prova sem correr qualquer risco físico mesmo que isso implique caminhar durante breves períodos.

Para Setembro prevejo vir a realizar algumas provas que servirão para complementar os treinos e na primeira oportunidade que o calendário nacional me vier a proporcionar, irei fazer a minha estreia numa prova de trail.

O trail é um tipo de prova diferente, mais exigente a meu ver, mas que também nos leva para mais próximo da natureza. Daqui nasce o interesse e a curiosidade crescente quando ouço colegas meus falar sobre o tema.

Entretanto irei explorar as dificuldades de correr com temperaturas de Verão, absorvendo o máximo de experiência possível sobre este tipo de condições. Penso vir a realizar treinos específicos para adquirir velocidade e avaliar os resultados práticos em Setembro.

Tipicamente os meses de Verão e de férias são inimigos da boa forma. Vou tentar conciliar as férias com os treinos para não perder muito daquilo que consegui atingir com algum sacrifício, adversidade e determinação.

Afinal, foi apenas há um ano que tomei esta decisão. Correr. Prossigo.

As Colinas do Cruzeiro

Última prova em Odivelas antes de entrar em férias. Férias das provas, não dos treinos. O interregno justifica-se pelo calor que se faz sentir. As dificuldades de correr à chuva, ao frio e ao vento não se comparam com a dificuldade que é correr com o sol do Verão.

O corpo não consegue absorver a mesma quantidade de oxigénio, a fadiga surge mais rápido, o coração vê-se obrigado a trabalhar com mais intensidade, a hidratação perde-se em cada Km.

Para a prova D. Dinis, nas colinas do Cruzeiro em Odivelas, com inicio previsto para as 10:30 e com uma temperatura perto dos 40ºC, já previa que esta seria uma prova de resistência e de muita prudência. Em tom de brincadeira mas com esperança que não ficasse esquecido, peço ao meu sogro que esteja na posse de uma garrafa de água antes das 11:00 perto do 5ºKm. Não me enganei.

No inicio da prova, acompanhei outros dois colegas e tudo corria bem nos primeiros 3Km. Média de 5:09min./Km. Se continuo assim, não chego ao fim da prova. O calor é insuportável, vou reduzindo o ritmo.

Por mais um Km ainda acompanho um dos meus colegas, mas ao 5ºKm sinto-me obrigado a reduzir consideravelmente o ritmo até aos 6:05min./Km. Felizmente o meu sogro estava no local combinado. Foi a única água fresca que bebi na prova. O ar é cada vez mais quente, e a respiração cada vez mais difícil. As pernas custam a levantar.

A água fornecida pela organização está quente e ao 8ºKm numa das inúmeras subidas desta prova, com receio de entrar em falência de alguma componente do organismo, paro para caminhar. A água quente fornecida pela organização é despejada essencialmente na cabeça e esta é a única forma de a tornar proveitosa.

Enquanto subo, encontro outro colega que aproveita o facto de eu ir a caminhar, para ir comigo ao meu ritmo. - "Eu também preciso de andar", diz-me. E assim fomos por algumas centenas de metros. Depois corremos mais um bocado até á meta completando a prova em 59m40s. Novas provas só em Setembro, agora está calor demais para correr,.. ou talvez não.

Os primeiros 30Km - Parte III

Este percurso tem outra vantagem. A paisagem não é maçadora. Neste dia, no Tejo, está ancorado o porta-aviões Eisenhower. Dá para ver o navio de vários ângulos enquanto corro. Durante um dos Km que faço a caminhar aproveito para tirar esta fotografia. 
A cada 5Km como uma barra energética e bebo água num local pré-determinado. Quando chego à praia de Santo Amaro de Oeiras, já repleta de banhistas, preciso de beber água mais uma vez. O problema é que não tinha previsto beber água antes de terminar as etapas de 5Km. É com algum custo que chego ao fim desta.
 
O calor começa a fazer-se sentir. Estão 23Km concluídos. Se tivesse parado por aqui, podia dizer que não tinha sido um grande esforço. Só faltam 7Km e dois são a caminhar. Já dificilmente não conseguirei cumprir o objetivo. Mas foi quase isso que aconteceu.
 
Depois de ter concluído o 24ºKm, inicio a última etapa de 5Km a correr. À medida que os minutos passam, vai sendo cada vez mais difícil levantar as pernas. A energia está-se a esgotar. O cansaço começa a tomar conta do corpo. Começo a sentir algumas dores nas costas. O sol parece queimar os últimos restos de energia que tinha tido até ali.
 
As necessidades de hidratação são cada vez mais urgentes. Ao Km 26 paro só para comprar uma garrafa de água fresca. Beber água de bebedouro em bebedouro já não chega. Ao Km 27 os pés parece que arrastam. As barras energéticas não produzem qualquer efeito. A máquina apresenta os primeiros sinais de falha.
 
Decido antecipar a caminhada a meio do Km 27. A meio do Km 28 volto a correr mais 500m, ando 100, corro 200, ando outros 100, corro mais 100 e assim continuo até chegar ao 30ºKm. Termino precisamente no bebedouro do Jamor junto aos campos de futebol.
 
É impressionante como o nosso físico se degrada rapidamente. Ao Km 23 não desconfiava que os últimos 5Km fossem tão difíceis. Foram difíceis mas cheguei ao fim. Depois de realizar os alongamentos necessários, descansar, beber água e comer umas bolachas que trazia no carro já prevendo a necessidade, penso para mim mesmo, "Tenho que cá voltar".

Os primeiros 30Km - Parte II

No dia do treino, levanto-me ainda não são 7h. Como apenas uma banana. Arranco em direção ao ponto de partida e inicio o treino às 7h15. No Jamor fui o primeiro a chegar.

A temperatura está amena. Inicio o treino a um ritmo confortável entre 6:00min./Km e 6:30min./Km. Os tempos Km a Km:

Verifico neste primeiros Km que não sou o único que escolhe este percurso e este horário para treinar. É natural que se encontra de forma isolada ou em pequenas quantidades, alguns corredores pelo caminho.

No entanto, não estamos a contar virar uma esquina para nos depararmos com uma multidão de 30 pessoas em que uma dessas pessoas ainda por cima é nossa conhecida. O mundo é mesmo pequeno.

Entre a estupefação e a preocupação de manter o ritmo, trocamos breves palavras de entusiamo e que servem ao mesmo tempo de motivação.

Ao 12ºKm a primeira paragem com reposição de líquidos. Para quem não sabe, os parques para crianças têm que obrigatoriamente ter um bebedouro nas imediações. Algés tem um parque para crianças. Foi lá que me abasteci tal como previsto quando planeei o percurso.

Seguiram-se mais 5Km, estão 17Km percorridos. O cansaço ainda não é muito e já só faltam 13Km.

Os primeiros 30Km - Parte I

As distâncias de 10 e 21Km são atualmente uma meta exequível. Para alcançar o terceiro objetivo é necessário percorrer 42Km...e 195 metros. Exatamente o comprimento de uma Maratona.

A dúvida começa a perseguir-me. Que distância sou capaz de fazer? Imagino um treino de 30Km para ver até onde consigo ir.

Esta distância nunca foi tentada por mim. O máximo foram os 21. Para uma distância tão longa tenho de pensar no treino com maior pormenor. Água, energia e a temperatura de Verão que se vai fazendo sentir cada vez mais são as maiores preocupações.

O percurso tem que me garantir a passagem por locais onde possa beber água. Para manter a energia vou utilizar barras energéticas. Para evitar o calor, escolho um percurso junto ao mar e marco o inicio do treino para as 7h30. Assim pretendo evitar correr durante um período de maior calor.

O percurso escolhido é o seguinte: Inicio no Jamor. Vou até ao Museu da Eletricidade e volto para trás até chegar a Sto. Amaro de Oeiras. Volto novamente para trás, de volta ao Jamor.

Como não sei qual será o meu estado físico após os 21Km, decido abordar o treino de uma forma mais cautelosa. 5Km a correr + 1Km a caminhar. Repetir 5 vezes. No total farei 25Km a correr e 5Km a caminhar. Distância total, 30Km.

Dependendo do resultado que vier a obter com a conclusão deste treino, voltarei noutra oportunidade, eventualmente para fazer os 30Km seguidos a correr. Pelo sim pelo não aviso em casa que podem ter que me ir buscar.

A data está marcada, o percurso está escolhido, estou preparado psicologicamente e ansioso por começar.

...e um novo máximo

Se a prova anterior era um desafio à resistência, a prova seguinte era boa para a velocidade. Sempre a direito do principio ao fim e sem grande história.
 
A corrida de Santo António não tem desnível ou pelo menos praticamente nenhum. É chegar o mais depressa possível do ponto A ao ponto B. Como vai sendo habitual, a minha estratégia passa por encontrar um colega que tenha mais ou menos o mesmo ritmo que eu. A partir dai seguimos quase lado a lado.
 
Para começar, os dois primeiros Km foram abaixo dos 5:00min./Km. Depois e até ao fim, uma média de 5:20min./Km. No último Km, quando começava a denotar algum cansaço, abrandei um pouco. Mesmo assim, concluo o 10ºKM abaixo dos 6:00min./Km.
 
No fim, um novo máximo, 52m43s. Como prémio recebo um manjerico, oferta da organização.
 
Para além da satisfação evidente por ter obtido um novo máximo pessoal, há que destacar a importância de ter uma referência no nosso ritmo.
 
A companhia de alguém a nosso lado permite manter o ritmo sem cair na tentação de ir mais rápido, ou de perder a noção de que vamos mais lentos que o habitual. Quando nos distanciamos, percebemos que algo se alterou. Um de nós, ou vai mais lento ou vai mais rápido. De imediato, tenta-se corrigir.
 
Nalgumas provas fica-se com a recordação do sofrimento, mas associa-se este à proporção do desafio que depois de vencido transforma-se em satisfação. Noutras, registamos uma boa recordação por ter obtido um novo máximo pessoal, seja pelo tempo, pela distância, pelo desnível, pela convivência ou pura e simplesmente por nos sentirmos com boa saúde.

Um verdadeiro massacre... - Parte II

O 9ºKm é a subir. Estou fatigado. Mais um bocadinho para andar. Só falta 1Km. Volto a correr. Agora só pode ser a descer visto que estou perto do Palácio da Pena e a meta é na vila lá em baixo. Finalmente uma trégua.
 
Mas se bem me lembro, esta descida até de carro é ingreme. Quase que desejei que fosse outra vez a subir. 1KM a descer vertiginosamente, como se eu fosse um camião ou um carro ou uma bicicleta sem travões. A qualquer momento posso me despistar.
 
A queda de água do inicio deixou o piso empedrado extremamente escorregadio. Um passo em falso e vou parar ao chão. Esteve quase para acontecer. Um dos pés de apoio escorregou mas consegui-me equilibrar.
 
Cair nesta descida acarreta vários perigos. Um deles, para além de ficar mal tratado, é a possibilidade de ser atropelado por outro corredor que eventualmente não consegue travar a tempo.
 
Por outro lado, receio pelo meu joelho. Outro desequilíbrio por mais microscópio que seja, pode provocar uma lesão ainda maior. 
 
Com a meta à vista, sinto uma grande satisfação por ter concluído mais um desafio. Espero que esta prova se repita e que tenhamos a oportunidade de cá voltar.
 
Apesar de ser em Sintra, não posso dizer que tenha admirado muito a paisagem. Afinal, com o esforço despendido, as maiores recordações que tenho são do chão à frente dos meus pés. Hoje não foi dia de velocidade mas sim de resistência. Foi uma boa prova e um treino ainda melhor.

Um verdadeiro massacre... - Parte I

A próxima corrida, de 10Km, tem como fundo a bonita paisagem de Sintra. É um percurso que se avizinha difícil devido ao desnível entre o local de partida, situado na base da serra, e o ponto mais alto que passa junto ao Palácio da Pena. A prova tem inicio às 17h.
 
O céu está encoberto e o vento não está muito forte. Faltam 5 minutos para iniciar a prova. Cai uma chuva torrencial que arrasa todos os concorrentes inclusivamente os que pensam estar abrigados junto às paredes das casas. Às 17 horas parou e não voltou.
 
Encharcados mas não desmotivados, iniciamos a prova. Ao 2ºKm, começamos a subir. A principio, ainda fresco, reduzo o ritmo porque desconfio que a subida é longa. Ao fim de 1Km a subir, pergunto-me se ainda faltará muito para chegar ao topo.
 
Ao fim do 2ºKm sempre a subir, pergunto-me se vou aguentar continuar a correr. A subida continua e não consigo ver o fim. Espero que depois daquela curva seja a direito. Não é. Outra curva, não é. Outra, não é. Não posso mais. Está mesmo difícil. O coração vai sair cá para fora.
 
Espera. Posso andar como quase todos à minha volta. Afinal, o meu passo de corrida não é mais rápido do que o passo dos outros concorrentes. Só agora me apercebo disso. E ao fim de 3Km a subir, finamente o caminho é a direito.
 
Por pouco tempo. Já estou a subir outra vez. Mas isto nunca mais acaba? Mais 1Km. Agora sim, é a direito. Agora é mesmo verdade. 1Km a direito e outro para voltar pelo mesmo caminho também praticamente a direito. Mais um Km. Agora é a descer finalmente. Só faltam 2Km para a meta, estou mesmo a chegar.

Subir um nivel

Ao Km 17 encaro mais algumas subidas que, embora ligeiras, já constituem um grande obstáculo. Ao Km 18, o choque. 1 Km a subir. É a desilusão, é desmotivador. Não paro porque a frequência cardíaca está estável. Trata-se de colocar um pé à frente do outro no ritmo que posso aguentar e esperar que a subida acabe. Eventualmente.
 
Ao fundo da subida ouço os bombos que nos esperam na rotunda e que desviam os pensamentos de quem quer parar. O vento nesta área da cidade fustiga toda a gente lateralmente. Só faltam 3Kms e já sei que vou fazer o tempo que tinha previsto.
 
O Km 19 e o Km 20 são a descer. Nem por isso foram mais fáceis. As pernas já cansadas mal parecem conseguir manter o ritmo. O vento lateral não ajuda. Num determinado instante, numa das centenas de rabanadas de vento, um dos pés é desviado e tropeça no outro. O cansaço ajudado pelo vento quase terminou num acidente.

O último Km foi feito mais ou menos assim: 100m já estão. Só mais um pouco e já estou ali. Mais uns segundos e chego àquele carro. Mais uns metros e estou no local da partida. Mais 10 metros e estou na curva. Já estou na reta da meta. Já quase que posso parar. Só mais uns passos. Cheguei. Acabou.

Surpreendentemente, volto à média abaixo dos 6:00min nos últimos 3Kms. Tempo oficial: 2h05m28s. Menos 32 segundos do que o previsto. LOL. Menos 12 minutos do que na anterior Meia Maratona. Estou no segundo nível de dificuldade, os 21Km.

Posso dizer que foi divertido. Foi porque, não me ressenti da lesão, sendo aceitável considerar que já não é um problema. Foi divertido porque estava preparado para esta distância desde que mantivesse a média de 6:00min./Km. Foi divertido porque consegui ultrapassar mais um desafio sem passar por um desgaste extremo.

A prova de Almada foi um grande desafio complementada por uma boa organização. Abastecimentos nos locais certos, percurso variado e que atravessou diferentes paisagens, nomeadamente, a Base Naval do Alfeite, o Jardim da Cova da Piedade, até o parque de estacionamento(!) foi original.

O percurso do metro de superfície de Almada, a FCT, os bombos na rotunda, a vista para a Ponte 25 de Abril, os estaleiros da Lisnave onde se centrou o inicio e a partida deste evento. Sem dúvida, para o ano cá estarei para repetir esta prova.

Vencer em Almada - Parte II

Os primeiros 7Km têm um desnível positivo reduzido, ou seja, as subidas não são muito ingremes nem extensas.
 
Nestes primeiros Km, o percurso leva-nos até à base do Alfeite, onde nos foi dada a oportunidade de avistar barcos da marinha portuguesa bastante conhecidos como são o caso do navio escola Sagres e o submarino Barracuda. Uma passagem interessante apesar de ter sido apenas por breves instantes.
 
Entretanto, a minha referência aproveitou uma distração dos concorrentes em geral para ir à casa de banho. Vejo que ficou para trás e portanto sigo caminho ainda na expectativa de saber se me vai apanhar mais à frente.
 
Os próximos 4Kms, quase sempre a subir, com uma passagem pelo interior do parque de estacionamento do Almada Fórum(!?) deitam por terra a média que tenho vindo a realizar abaixo dos 6:00min./Km. Nestes 4Kms a média subiu para 6:30min./Km.
 
O retorno em direção a Almada só acontece ao 13ºKm. As pernas já vão pesadas com tanta subida, mas mais alto não é possível ir, estou no topo do monte da Caparica em plena Faculdade de Ciências e Tecnologia. Pelo menos aqui não está muito vento.
 
O retorno a Almada faz-se com a esperança de que as subidas já não são ingremes e que falta pouco para chegar ao fim. Graças a algumas descidas, volto à média de 6:00min./Km e percebo que é neste ritmo que o corpo faz menos esforço. Quando reduzo nas subidas parece que ainda custa mais, não para o coração, mas sim para as pernas.

Vencer em Almada - Parte I

Chego a Almada por volta das 08:30, duas horas antes do inicio da corrida. Constato no local que existe uma grande ventania, fora do normal. Pela minha experiência até à data, este é o pior inimigo de quem corre. Também está frio. Muito. 10ºC.

Escolho o melhor lugar para deixar o carro e faço um reconhecimento do local. A expectativa é grande. Será que me vou ressentir da lesão? A prova tem um desnível que não estou habituado. Será que aguento correr os 21Km seguidos? Será que vou apanhar o vento de frente? Estou ansioso por começar.

À medida que as 10h30 se aproximam vão chegando os meus colegas. Alguma troca de impressões sobre os temas usuais, o tempo que vamos enfrentar, o tempo que nos convinha, as provas que fizemos, as provas que faremos, unânimes de que vamos fazer  a prova de hoje, no nosso ritmo, ao nível das possibilidades de cada um.

Já mais perto da hora, é tempo de nos livrarmos da roupa a mais, preparar o GPS, aquecer os músculos, fazer os alongamentos da praxe e nos posicionar na linha de partida enquanto contamos os minutos para iniciar.

Antes da partida, identifico um dos meus colegas que me vai servir de referência para o ritmo que espero vir a impor do principio ao fim da corrida. O objetivo é cumprir uma média de 6:00min./Km prevendo realizar a prova no tempo aproximado de 2h06m.

Esta é a primeira Meia Maratona de Almada e em certo sentido, poderá ser verdadeiramente a minha primeira Meia Maratona também. Partimos.

A recuperação

Depois das dificuldades sentidas na prova de 21Km devido á lesão, pergunto-me de quanto tempo irei precisar para recuperar. E se tiver que parar durante 1 mês, dois meses, ou por tempo indeterminado? Antigamente não tinha esta preocupação! Como vou continuar o meu dia a dia sabendo que não posso treinar?

Vamos com calma. A dor ocupa a zona lateral externa do joelho esquerdo. Num dos sites que consulto regularmente sobre esta modalidade desportiva, é apresentada uma descrição bastante precisa dos sintomas deste tipo de lesão.


O síndrome da banda iliotibial parece ser exatamente o problema que me afeta o joelho esquerdo. É evidente que será necessário marcar uma consulta na especialidade para obter uma opinião profissional.

No entanto, assumo que irei espaçar a frequência dos treinos e registar a evolução da lesão. Se esta se mantiver, marco a consulta.

Tenho 5 semanas para me preparar com prudência para a próxima meia maratona. Num espaço de três semanas apenas realizo 3 treinos de 10Km cada. Para já o diagnóstico é bom. Não voltei a ter dores.

Na quarta semana, realizo o teste que vai confirmar, ou não, a minha presença na Meia Maratona de Almada. Faço 15Km sem dores. No dia a seguir faço mais 5Km só para descontrair. Complemento o treino com alongamentos antes e depois.

Ainda assim, 3 dias antes da prova, faço mais um treino de 10Km a um ritmo ligeiro. Sinto-me perfeitamente apto, e o grande e definitivo teste é já a seguir.

Recordar a lesão

Terça-Feira. Já passa das 21h. É um pouco tarde para realizar um treino, mas como é hábito dizer, quem corre por gosto não cansa.
 
Hoje há vários incentivos. A companhia de alguns colegas, o tempo ameno propicio para a prática do desporto, um calçado novo que pensamos com otimismo vir a trazer vantagens a curto prazo.
 
Aqueço enquanto corro e faço a adaptação ao novo calçado enquanto treino. Numa altura em que ninguém desconfia, com a sede de chegar mais rápido, decido arrancar com toda a velocidade que me é possível.

Nesse momento, um desequilíbrio tão microscópico, suficiente para desfazer a base de sustentação do pé, da perna, do joelho, levam-me instantaneamente para junto do tapete verde que em normais circunstâncias é caracterizado como sendo "fofo".

De dentro do joelho sai um som conhecido. Um ramo a partir-se faria o mesmo som, mas a dor, atravessa os pulmões e sai forte como se fosse aliviar o instante.

A dor não alivia porque é uma lesão grave que se repete 10 anos depois. Sei precisamente o que dói, e sei que possivelmente não vou voltar a jogar futebol.

Esta terça-feira em particular, decorria o mês de Novembro de 2010, marcou o fim daquela prática desportiva, mas foi o principio de outra, a corrida.

domingo, 31 de março de 2013

Mosteiro dos Jerónimos - Parte II

Ao Km 20 avisto uma ambulância à beira da estrada, e no chão, desfalecido, um atleta.
 
Este atleta assemelha-se na sua fisionomia ao meu colega que não vejo desde o 6º Km. Quase em choque, prossigo uns metros ainda a olhar para trás. Dou meia volta e tento identificá-lo. A pessoa que se encontrava a meus pés estava inconsciente apesar dos esforços do médico e dos 3 enfermeiros.

Abordo o policia no sentido de tentar confirmar a identidade da pessoa - "Este é inglês",  diz o policia. Cara, roupa, estatura, parecia mas não é. Consigo confirmar algumas horas depois que o meu colega está bem. Terminou a corrida em menos de duas horas. Ótimo tempo para quem correu a meia maratona pela primeira vez.

Eu termino com o tempo de 2h18m. Média de 6:28min./Km. Assim que passo a meta paro imediatamente. O ritmo a que me submeti era tão baixo tendo em conta a preparação que tinha tido que não precisei de qualquer período de recuperação. Não me sentia cansado e ao nível muscular parecia ter ainda capacidade para vários quilómetros.
 
Perde-se a oportunidade de fazer uma boa prova, por outro lado ganha-se a oportunidade de voltar para o ano e tentar fazer melhor. Certamente que até lá vão ser necessários muitos treinos tendo em vista o próximo objetivo, a Maratona.

Para já é necessário consolidar a distância, e claro, recuperar da lesão. Vou ter muito tempo para isso.


Mosteiro dos Jerónimos - Parte I

Entre o 6º e o 7º Km vejo passar na direção contrária o atleta que tratará de vencer esta prova, o queniano Bernard Koech. Passada larga, quase que não se houve correr, joelho lançado para a frente. Cada passada deste atleta conta de forma determinante para o tempo e para a distância.
 
Passando o Terreiro do Paço e um pouco mais além, chega o momento de voltar para trás em direção a Algés. Ao Km 10, a dor, incómoda, faz-me procurar um estilo de corrida que seja o menos inconveniente possível para o joelho. Em vão. Qualquer pisada é dificil e ainda faltam 11Kms. Por vezes até nem dói nada, talvez uma vez em cada 10 passadas.
 
Mesmo assim, durante os próximos 5 Kms, a média é de cerca de 6:30min./Km, muito acima do que seria esperado com este tipo de dificuldade. Passo por algumas pessoas que visivelmente já cansadas, apenas andam. E algumas pessoas em pior estado são assistidas por enfermeiros.
 
Pelo caminho bebo água e bebidas energéticas que me mantém abastecido apesar de não me sentir cansado. É um ritmo de passeio que estou claramente obrigado a fazer. Afasto rapidamente qualquer ideia de parar, ou de fazer contas sobre a distância ou o tempo que ainda falta. Distraio-me a pensar qual será o plano de treinos para a próxima semana ou a ver as vistas.
 
Ao Km 15 ouço um pequeno tumulto que se aproxima de mim. É a Academia Militar que ás dezenas passa por mim. Falam alto, riem, seguem em bloco e desaparecem.
 
Ao Km 17 a dor já é profunda, diminuo ainda mais o ritmo. 7:00min./Km será a média que me irá acompanhar o resto do percurso. Uma passada que muito se assemelha a andar depressa.

Meia Maratona de Lisboa

Domingo, dia 24 de Março, 08:30. Inicio de uma nova jornada. Vou atravessar a ponte 25 de Abril de duas formas diferentes. De comboio e a correr. Comboio para lá e a correr para cá.
 
No comboio, eu e alguns colegas viajamos numa carruagem exclusivamente preenchida por alunos da Academia Militar. A nossa própria presença era a única exceção.
 
Já no Pragal outro grupo de colegas nos espera. Há participantes a encher a estação, as ruas, os jardins, e fluem num único sentido que só irá terminar para a larga maioria, junto ao Mosteiro dos Jerónimos.
 
No garrafão, a rolha estás prestes a saltar fora. É tempo de trocar mais algumas impressões, tirar fotografias, observar a animação, os helicópetros que sobrevoam regularmente a zona e resistir á chuva que cai por diversos minutos com alguma intensidade.
 
Nos instantes antes do inicio da partida, a roupa voa pelo ar. Casacos, calças, polos, sweatshirts, chapéus, impermeáveis. Tudo o que possa causar desconforto para a viagem é descartado a titulo gratuito ficando para trás completamente esquecido.
 
A massa humana avança como formigas ao longo da ponte 25 de Abril. Aqui e ali avistam-se personagens que são velhas conhecidas destas provas. O palhaço e o empregado de mesa são disso exemplo e também eles correm para entretenimento de muitos.
 
Associo-me a um colega que tem mais ou menos o meu ritmo e sigo em boa companhia. Mas ao Km 6 já o joelho começa a dar sinais de dor, apenas algumas picadas. Está na altura de ficar para trás e desejar boa prova ao meu companheiro. Já só interessa chegar ao fim.
 
A partir daqui será uma viagem a três, eu, o meu joelho e a minha cabeça.

Saldo positivo

Tenho uma semana e meia para me preparar para a meia maratona. É urgente treinar com o novo calçado antes da prova. Comprei as sapatilhas na sexta-feira. No sábado e no domingo faço dois treinos de 10Km.
 
Senti alguma impressão no joelho mas de resto estive bem, sem dores. Nesta primeira impressão, fica a sensação de que os ténis novos realmente contribuem de forma positiva. De fato, a dor na articulação do pé, gémeo e glúteo não só não agravam como tendem a desaparecer.
 
Faço mais um treino na última quinta-feira antes da prova e a dor no joelho não desarma. Tudo o resto confirma-se, as restantes dores desapareceram.

Entretanto, mantenho a prática sempre que possivel, de treinar 3 vezes por semana no ginásio. Alterei o programa de musculação para as pernas, sob a orientação do Monitor, tornando-o mais adequado á corrida.
 
O ginásio tem um efeito terapeutico sobre o stress. Voltar para o trabalho a seguir a um treino é o mesmo que começar um novo dia, tal como se tivesse acabado de chegar pela primeira vez no dia, mas com a vantagem de já termos concluido as responsabilidades da manhã.

Dormir bem e manter a regra de comer adequadamente resultou no atual peso de 72Kg. Apenas menos um kilo desde o Natal. Na verdade já cheguei a pesar 70Kg mas por alguma razão voltei aos 72. Não me privar de qualquer tipo de comida, embora sem entrar em locuras, também deve ter ajudado a esta ligeira correção.

Fatos mais relevantes que evoluiram desde Agosto do ano passado até hoje:
Máxima distância a correr sem parar: 2,4Km -> Hoje: 20Km.
Máximo de tempo a correr sem parar: 10 minutos -> Hoje: 2h10m.
Peso em Agosto: 80Kg -> Hoje: 72Kg.
Meses que passaram desde o inicio desta experiência: 8 meses.
Objetivo para 2012: Duas provas de 10Km concluidas -> Objetivo para 2013: Meia Maratona agendada para o dia 24 de Março -> Objetivo para 2014: Ainda é cedo para iniciar a preparação para a maratona.

Quantidade de novas amizades: Perdi a conta. No global tem sido um saldo muito recompensador.

Combater a lesão

Sobre a canelite. Existem vários fatores que podem contribuir para esta dor. Esforço em excesso, má preparação do atleta, ritmo demasiado elevado, ténis sem capacidade de amortecimento.

Para comprovar se está relacionado com o esforço passei a iniciar os treinos a um ritmo abaixo da minha passada normal. Passei a ter este cuidado desde a prova Luzia Dias. Comprovo que resultou, não voltou a manifestar-se.

No entanto, no treino que realizei alguns dias depois da corrida de Vila Franca, a dor no joelho subsiste. Reflete-se ainda na articulação do pé, músculo do gémeo, joelho e glúteo (lateral da nádega esquerda para ser mais exato). A lesão alastra.

Chegou a altura de comprar uns ténis e garantir que o calçado não prejudica o bem estar da prática desportiva. Os ténis que habituamente uso têm 15 anos. Excedeu em muito a longevidade prevista. Vou a correr(!) comprar uns ténis.

Na loja encontro uma assistente com um nivel de conhecimento adequado.  Os critérios utilizados na escolha das sapatilhas, após uma pequena entrevista, foram os seguintes: Estabilidade do piso, passada neutra com tendência para a pronação, treinos com mais de uma hora e provas até 21Km. A eficiência dos ténis está garantida até ao máximo de cerca de 800Km.

As minhas opções ficaram reduzidas a 4 pares, 2 Kalenji, 1 Nike e 1 ASICS. Os dois últimos tinham um sinal de proibido no preço pelo que fiquei limitado aos Kalenji. Mas que marca é esta, Kalenji? Segundo explicação da assistente, é uma marca do grupo Decathlon que obedece aos mesmos padróes de controlo e de qualidade a que a Nike e a ASICS são submetidas.

Comprei o modelo KIPRUN MD Pronation:

 

A Leziria

Curiosamente, foneticamente, as 3 primeiras letras da palavra Leziria condizem com a palavra lesão. Uma coincidênca infeliz que a prova tratou de confirmar.

Fui até Vila Franca de Xira com o intuito de me preparar melhor para a meia maratona. Chego antes das 9h. A partida da corrida está posicionada perto da Praça de Touros. Há tempo para trocar impressões com alguns colegas que foram mais madrugadores do que eu. Há tempo para café, ir ao WC e para chover.

Mas esta última não dura muito. Quando se inicia a corrida já o tempo abriu o suficiente para que não volte a chover durante toda a prova. Os primeiros 3Km não têm história. Parece que todos os participantes estão bem preparados. O pelotão avança em bloco, e eu também.

Quando já estou a descer a ponte Marechal Carmona em direção à Leziria, sob o olhar vigilante de um campino, sinto as primeiras picadas na parte lateral do joelho esquerdo. Já tinha sentido estas picadas anteriormente nos treinos mas sem incomodar verdadeiramente. Agora não. É sério. Desta vez vai impedir de continuar normalmente.

Reduzo o ritmo, mas lá para o Km 6 já me prejudica a passada seriamente. Passo para ritmo de trote e foi assim que percorri o resto da prova. Com dores durante quase 10Km, principalmente quando o piso é a descer, termino a prova com dificuldade. Mas termino. Faço o tempo de 1h31m com uma média de cerca de 6:00min./Km.

Estou lesionado.

sábado, 30 de março de 2013

Os primeiros 20Km - Conclusão

Mais duas voltas pela frente e já sinto os primeiros sinais de desgaste. A chuva parou e o vento abrandou um pouco mas nem por isso o sol apareceu. Ao Km 15 faço o último desvio e sinto que os últimos 5 Km vão ser dificeis.

De fato, assim aconteceu. Metro após metro, o cansaço foi aparecendo e a força muscular desaparecendo. Não cheguei à exaustão, teria colocado um ponto final antes de cair nessa situação, mas foi dificil. As últimas centenas de metros foram quase por arrasto, ajudado por vezes pelo vento, prejudicado por vezes, dependendo da direção em que corria.

Também não ajuda ver os senhores praticantes da modalidade, que treinam no complexo desportivo do Jamor, ditos profissionais, passar por mim como se pisassem nuvens ao triplo da velocidade. No entanto, o aspeto psicológico foi o mais fácil de ultrapassar, ajudou e muito, o planeamento do percurso.
 
Chamou a minha atenção uma dor no joelho esquerdo que muito levemente marcou a sua presença nos últimos Kms. Felizmente sem qualquer efeito visivel nos dias seguintes.
 
Quanto a números: 2h08m de corrida. 20Km de distância. Média de 6:26min./Km. Profetizo cerca de 2h15m para fazer a meia maratona. Como as bolachas, bebo água e sigo para casa. Cansado mas satisfeito, aguarda-me a prova das Lezirias em Vila Franca no próximo dia 15 de Março.

Os primeiros 20Km - Desenvolvimento

À medida que avanço na distância, as dificuldades são outras, mais desafiantes. Começo por chegar ao local de treino por volta das 08:00 da manhã. Uma hora antes de sair de casa como uma banana. Levo bolachas para comer imediatamente após o treino e assumo que vou beber água durante o percurso num dos bebedouros que o complexo do Jamor dispõe.

Está a cair uma chuva miudinha. Não tem problema. É bom para começar. Inicio o treino, a trote já se vê, para me resguardar para os últimos 5Km. Não sei em que condições vou estar lá mais para o fim, portanto, não vou arriscar.

Após o primeiro Km e meio de levar com o vento pelas costas e a chuva por cima, está na altura de levar com o vento pela frente. Isto está muito mau, quase que sou levado pelo dito. Ao fim de duas voltas, com 4Km concluidos, faço o primeiro desvio planeado. Subo até á zona do estádio e desço novamente para mais duas voltas ao circuito.

Sempre com a chuvinha para me acompanhar e sem esquecer o ventinho, percorremos juntos os primeiros 10Km. Faço uma pequena paragem só para beber água, foram só alguns segundos para poder beber o equivalente a uma pequena garrafa de água de 20Cl. Prevejo beber água novamente aos 15 e aos 20Km.

Os primeiros 20Km - Preparação

Pelo sim pelo não, vou tentar correr 20 Kms para ver como é que é. Os treinos passaram a ter um minimo de distância como regra, 15Km.
 
Passei um mês a treinar regularmente esta distância até que escolhi um fim-de-semana em Fevereiro para realizar o teste.
 
20Km já se pode considerar uma distância razoável. Para evitar o efeito psicológico de um rato de laboratório (ver imagem seguinte), resolvi tomar algumas medidas.
 
 
Comecei por alterar o local de treino. Escolhi a zona junto ao Estádio Nacional no Jamor. Se fosse treinar na Quinta das Conchas, num percurso com um circuito plano de apenas 1,5Km, teria que dar 13/14 voltas à mesma paisagem para alcançar o total.
 
Defini no site da ASICS, www.my.asics.pt, a distância e o percurso que iria fazer no dia 23 de Fevereiro. O circuito garantia uma volta de pelo menos 2Km. O raciocinio foi este: Realizar 2 voltas para atingir 4Km. Ao fim destas 2 voltas faço uma pequena variação no circuito durante 1Km. Este desvio garante uma meta, um objetivo que de 4 em 4Km corta a monotonia e o efeito piscológico da distância. Ao fim de cada 4Km a recompensa é a mudança de percurso.
 
É claro que o efeito de rato de laboratório está sempre presente. No fim, toda esta experiência para alcançar o objetivo de realizar uma maratona, é isso mesmo. Lidar com o nosso próprio organismo nas suas várias facetas e observar e analisar de que modo ele influencia o meio ambiente, neste caso a minha própria vida. É uma experiência surpreendente.

sexta-feira, 29 de março de 2013

6ª Corrida Luzia Dias - Parte II

A dor ocorre exclusivamente na canela da perna esquerda. É dilacerante, aguda e não desarma apesar de abrandar o ritmo. Foi assim nos 3Km que se seguiram até que aliviou um pouco.
 
Pelo caminho avisto a minha familia que se encontra na varanda a ver passar o marido, o pai, que lhes devolve o aceno com um sorriso amarelo sem que possam perceber a dor que sinto na perna esquerda. O aceno que, para quem assiste, significa: Tudo está bem. É muito divertido. Deviam tentar um dia destes. O pai gosta muito de correr.
 
Sem me aperceber, faço estes 3Km num média de 5:45min./Km. Entretanto reparo que tenho um atleta a meu lado que já me acompanha há alguns Kms. É interessante e de muito bom augúrio, ver pessoas com muito mais idade do que eu a correr a um ritmo por vezes muito superior ao meu.
 
Mas este caso é diferente, aflige-me ver que o atleta aparenta dificuldades respiratórias. Parece um peixe fora de água com a boca aberta. De vez em quando forço o ritmo e distancio-me dele para não ter que assistir a tamanho esforço, mas quando abrando, lá vem ele outra vez. Com dificuldades ou não, persegue-me. Abrando ainda mais e deixo que siga á minha frente.
 
Surpresa. Depois de ter passado o Km 9, a corrida acaba a meio do último Km. Pelo que consegui perceber junto dos meus colegas, é mesmo assim, são 9.6 e não 10Km. Porquê? Ninguém faz ideia.
 
Graças ao ritmo imposto no inicio e ao fato de a prova ter terminado ao Km 9.6, obtive o tempo de 51m10s. Claramente foi um um grande esforço correr com uma dor na canela. Isto não correu bem. Primeiro foram as bolhas, agora é a canelite. Pelo menos não choveu.

6ª Corrida Luzia Dias - Parte I

Agora que me iniciei nesta prática desportiva, não podia perder a oportunidade de participar numa corrida cujo percurso inclui a passagem á porta de minha casa. De qualquer modo, com a rua fechada ao trânsito, também não podia ir a lado nenhum.
 
Muitas das ruas incluidas no percurso já as conheço de treinos passados. A meta é no meu local de treino habitual, a Quinta das Conchas. Será uma prova mais facilitada por isso?
 
Dia 20 de Janeiro chego ao local da partida em frente ao edificio da junta de freguesia do Lumiar. O tempo está húmido mas não chove apesar de dois dias antes ter passado por Lisboa uma tempestade que causou prejuizos materiais por todo o pais.
 
É fácil de encontrar árvores caidas em Lisboa um pouco por todo o lado. Algumas delas foram na Quinta das Conchas. A organização viu-se obrigada a alterar o último Km do percurso. Sem impacto no entanto para o resultado final.

Antes do inicio da corrida, há tempo para tomar um café e trocar impressões com os meus colegas. Faço-lhes ver que estou a correr em casa e como tal é expectável que o percurso seja o mais agradável possivel.
 
A prova teve inicio ás 10h. Consigo visualisar o local da partida do ponto onde estou. Bastou apenas alguns segundos para começar a correr depois de ter sido dado o sinal do inicio da corrida.
 
Com espaço para correr após os primeiros 300m, desenvolvo os primeiros 4Km a uma média inferior a 5:00min/Km. Nunca antes tinha voado desta maneira durante tanto tempo seguido!
 
Tudo parecia se conjugar para melhorar o meu tempo de uma forma que não imaginei, mas quando tudo parecia correr bem, eis que a canelite volta a atacar.
 

O próximo desafio - Parte II

Antes da meia maratona é conveniente tentar correr uma prova intermédia. Selecionei a prova das Lezirias. 15Km para correr em Vila Franca.
 
A prova não é um treino. O ritmo é sempre maior. Quando se inicia a prova, no meio de um mar de gente, não há espaço para ficar para trás, é preciso ir na onda, seguir em frente. Mudar de direção pode provocar acidentes.
 
Desvio-me, abrando, zig-zageio na tentativa de não perder o comboio. Este é um fato mais relevante por ter participado apenas de duas provas, que são mediáticas e que contam com um número de participantes muito elevado.
 
Esta prova é diferente, apenas cerca de 1500 participantes. Vai servir para testar percorrer uma distância maior, em prova, num ritmo mais elevado, antes de mergulhar no objetivo dos 21Km.
 
Eis o percurso:
 
 
6Km de estrada + 9Km de terra batida = 15Km de experiência. Segue-se os treinos e segue-se igualmente a oportunidade de participar numa prova á porta de casa. É a corrida Luzia Dias.
 
Mas antes, tenho o problema da canelite para resolver.

O próximo desafio - Parte I

Escrevo hoje, dia 29 de Março. Concluí há cerca de uma hora mais um treino. Estou em condições de confirmar. Custa muito mais fazer um treino lesionado que aguentar uma chuvinha e um ventozito que ataca de lado, de frente, por todo o lado. Nestes últimos 3 meses as dificuldades foram aparecendo. Segue a história de como cheguei até aqui.
 
No final do ano passado sentia que os 10Km já são uma distãncia perfeitamente ao meu alcance. No horizonte já me passa pela cabeça o objetivo para este ano. Atingir os 21Km.
 
Logo desde Janeiro procurei escolher a corrida que me levaria a concretizar esse objetivo. A Meia Maratona de Lisboa foi a escolhida. 3 meses até á sua realização. Muito tempo de sobra para me preparar. Eis o percurso:
 




Trata-se portanto de um passeio essencialmente maritimo, partimos do "garrafão", passamos a ponte, descemos em direção a Alcantara, seguimos até ao Terreiro do Paço, voltamos para trás até Algés e voltamos novamente para trás até ao Mosteiro dos Jerónimos. 21Km e mais alguns metros.
 
Pelo caminho estão assinalados diversos pontos com música ao vivo, abastecimentos de água e bebidas energéticas. Aproveita-se igualmente para ver as vistas numa boa extensão de terreno, quer do ponto de vista superior que a ponte permite, quer do ponto de vista da frente ribeirinha.
 
Está marcado, é preciso pensar na preparação.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

São Silvestre de Lisboa - Parte II

Pode-se dizer que a prova foi mais fácil que os treinos. Se conhecesse o percurso teria feito uma melhor gestão do meu desempenho. Ainda assim, bati o meu melhor tempo nos 10Km, com 56m54s e fiz também o meu melhor tempo por Km com 4m29s.
 
Um dos motivos para ter feito os primeiros 5Km a um bom ritmo e com a sensação de que foi relativamente fácil, prende-se com o facto de termos de acelarar pontualmente para passar á frente ou para sair da frente de alguém. Pequenas acelarações que promovem um tempo por Km inferior ao verificado num treino em que os únicos que vão á frente somos nós próprios.
 
O último Km parecia que ia depressa demais, nunca tinha corrido realmente a esta velocidade e dei por isso. Fiz-me acompanhar dos meus colegas até ao Km 8 após o qual iniciei o ritmo mais rápido. Manter aquela velocidade só foi possivel porque ia a descer. Todas as provas têm subidas e descidas, mas 2,5Km?
 
Tanto á partida, como ao Km 5, como á chegada, ouvi os incentivos da minha familia, bastante enconrajador e também bastante útil para a motivação. Durante a corrida vamos nos cruzando com diversos colegas, até dá para conversar um pouco.
 
Desta vez, não houve pingo no nariz, não houve cansaço, não houve dor na canela, tudo correu bem. Mais uma boa experiência, portanto.
 
Os treinos têm resultado. É hora de pensar em continuar, marcar a próxima prova, e ultrapassar a canelite (dor na canela) definitivamente.