Domingo, dia 24 de Março, 08:30. Inicio de uma nova jornada. Vou atravessar a ponte 25 de Abril de duas formas diferentes. De comboio e a correr. Comboio para lá e a correr para cá.
No comboio, eu e alguns colegas viajamos numa carruagem exclusivamente preenchida por alunos da Academia Militar. A nossa própria presença era a única exceção.
Já no Pragal outro grupo de colegas nos espera. Há participantes a encher a estação, as ruas, os jardins, e fluem num único sentido que só irá terminar para a larga maioria, junto ao Mosteiro dos Jerónimos.
No garrafão, a rolha estás prestes a saltar fora. É tempo de trocar mais algumas impressões, tirar fotografias, observar a animação, os helicópetros que sobrevoam regularmente a zona e resistir á chuva que cai por diversos minutos com alguma intensidade.
Nos instantes antes do inicio da partida, a roupa voa pelo ar. Casacos, calças, polos, sweatshirts, chapéus, impermeáveis. Tudo o que possa causar desconforto para a viagem é descartado a titulo gratuito ficando para trás completamente esquecido.
A massa humana avança como formigas ao longo da ponte 25 de Abril. Aqui e ali avistam-se personagens que são velhas conhecidas destas provas. O palhaço e o empregado de mesa são disso exemplo e também eles correm para entretenimento de muitos.
Associo-me a um colega que tem mais ou menos o meu ritmo e sigo em boa companhia. Mas ao Km 6 já o joelho começa a dar sinais de dor, apenas algumas picadas. Está na altura de ficar para trás e desejar boa prova ao meu companheiro. Já só interessa chegar ao fim.
A partir daqui será uma viagem a três, eu, o meu joelho e a minha cabeça.
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