quarta-feira, 10 de julho de 2013

Subir um nivel

Ao Km 17 encaro mais algumas subidas que, embora ligeiras, já constituem um grande obstáculo. Ao Km 18, o choque. 1 Km a subir. É a desilusão, é desmotivador. Não paro porque a frequência cardíaca está estável. Trata-se de colocar um pé à frente do outro no ritmo que posso aguentar e esperar que a subida acabe. Eventualmente.
 
Ao fundo da subida ouço os bombos que nos esperam na rotunda e que desviam os pensamentos de quem quer parar. O vento nesta área da cidade fustiga toda a gente lateralmente. Só faltam 3Kms e já sei que vou fazer o tempo que tinha previsto.
 
O Km 19 e o Km 20 são a descer. Nem por isso foram mais fáceis. As pernas já cansadas mal parecem conseguir manter o ritmo. O vento lateral não ajuda. Num determinado instante, numa das centenas de rabanadas de vento, um dos pés é desviado e tropeça no outro. O cansaço ajudado pelo vento quase terminou num acidente.

O último Km foi feito mais ou menos assim: 100m já estão. Só mais um pouco e já estou ali. Mais uns segundos e chego àquele carro. Mais uns metros e estou no local da partida. Mais 10 metros e estou na curva. Já estou na reta da meta. Já quase que posso parar. Só mais uns passos. Cheguei. Acabou.

Surpreendentemente, volto à média abaixo dos 6:00min nos últimos 3Kms. Tempo oficial: 2h05m28s. Menos 32 segundos do que o previsto. LOL. Menos 12 minutos do que na anterior Meia Maratona. Estou no segundo nível de dificuldade, os 21Km.

Posso dizer que foi divertido. Foi porque, não me ressenti da lesão, sendo aceitável considerar que já não é um problema. Foi divertido porque estava preparado para esta distância desde que mantivesse a média de 6:00min./Km. Foi divertido porque consegui ultrapassar mais um desafio sem passar por um desgaste extremo.

A prova de Almada foi um grande desafio complementada por uma boa organização. Abastecimentos nos locais certos, percurso variado e que atravessou diferentes paisagens, nomeadamente, a Base Naval do Alfeite, o Jardim da Cova da Piedade, até o parque de estacionamento(!) foi original.

O percurso do metro de superfície de Almada, a FCT, os bombos na rotunda, a vista para a Ponte 25 de Abril, os estaleiros da Lisnave onde se centrou o inicio e a partida deste evento. Sem dúvida, para o ano cá estarei para repetir esta prova.

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